Terça-feira, Setembro 23, 2003 ::: DIASPORA SOUL
THE GIFT Tonic, 11 de setembro de 2003
diaspora soul :
steven bernstein : trompete e regência
michael blake : sax tenor
paul shapiro : sax tenor
peter apfelbaum : sax tenor
briggan krauss : sax baritono
brian mitchell : piano elétrico
tony scherr : baixo elétrico
roberto rodriguez : bateria
mauro refosco : percussao
? : percussao
the gift :
john zorn : teclado, theremin, voz e regência
marc ribot : guitarra
jamie saft : teclado e piano
trevor dunn : baixo
cyro baptista : percussao
roberto rodriguez : percussao
joey baron : bateria
Minha idéia era fazer um review dos shows la de NY mesmo mas o preço da internet era um tanto quanto fora dos padroes. Era muito mais jogo economizar uns dolares para comprar mais cds e escrever uns posts com um atraso de dez dias do que gastar uma grana boa no Kinko’s. Era ate tentador: o lugar ficava na esquina do hotel, estava sempre vazio e funcionava 24h. Mas nao deu.
Cheguei em NY no dia 11 de setembro e a cidade estava muito tranquila. Pensei que teria problemas no aeroporto mas nem rolou nada, foi tudo muito relax. Deu tempo de chegar no hotel e tomar um banho antes de partir pro Tonic.
Ah, entao. Quem leu esse blog mais do que duas vezes sabe que sou fa do John Zorn. E nesse mes de setembro o cara completou 50 anos e organizou um festival para comemorar. Sao quase 60 shows em trinta noites e eu nao poderia perder a oportunidade. Dentre as bandas teria uma rara apresentacao do quarteto Masada, minha banda favorita de todos os tempos, a melhor banda do mundo bla bla bla. Tinha que ver, os caras se apresentam de dois em dois anos praticamente. Alem dos outros projetos, claro.
Entao, parti pro Tonic, a casa de shows onde aconteceriam todos os espetaculos. Kassin ja tinha tocado la com o Moreno e o Domenico e tinha me dito que era bem pequeno. So nao me disse que era tao tosco. A casa nao tem nem letreiro na fachada, so uma folha de papel oficio com o logotipo colada com durex. Bom, cheguei no Tonic, minha meca.
O show da noite era da banda The Gift (formacao acima). O disco eh bem mediano, so se salva por dois ou tres solos do Ribot. A formacao eh incrivel mas no disco nao funcionou benzao nao. Mas o show foi foda. Ah, antes do inicio, outra surpresa. A casa nao tem camarim e os musicos ficam perambulando pela portaria ou pelo proprio Tonic antes do show. Algo normal no Ballroom ou no Garage. Mas os musicos ali eram John Zorn, Trevor Dunn, Marc Ribot e tal...
Quando estava na fila perguntei para a moça de tras se o metro funcionava 24h. Ela me explicou, deu algumas dicas de como eu chegava no hotel e beleza. Logo depois passa um baixinho por nos e ela grita “Trevor!!”, da um abraçao no cara e começa a bater o maior papo. E eu ali do lado, numa rodinha de conversa com essa moça, a irma dela e o baixista do Mr. Bungle! Nem abri a boca, estava todo bobo. Muito fa-moleque, muito bom.
Na frente do palco ficam trinta cadeiras e o resto do publico fica em pe na ponta dos pes pra tentar ver alguma coisa, ja que o palco eh baixo e os musicos tocam sentados (menos Trevor, Cyro e Roberto). Muito cabecao.
Mas o show foi classico. Nao sei se era porque era a primeira vez que via esses caras tocando ou se estava bom mesmo. Acho que era a segunda opçao. Os caras tocaram quase o disco inteiro na ordem. Quando coloco que Zorn fez a regência da banda, talvez nao dê pra explicar direito. Mas o cara vai conduzindo quem sola, quem nao sola, quando começa um solo, o que o baterista vai fazer na próxima estrofe e tal... Tudo através de gestos que a gente vai até aprendendo aos poucos. Isso fez com que os dois sets, mesmo com as mesmas musicas na mesma ordem fosse completamente diferente.
Da pra resumir como sendo a banda de rock do John Zorn. Eh o disco mas muito melhor.
O inicio do primeiro set foi muito bom. Estavam todos no palco ja prontos (outro: nao tem roadie, cada um monta seu proprio equipamento, incluindo Joey Baron e sua bateria) mas o percussionista brasileiro Cyro Baptista nao aparecia. Zorn chamou-o do palco e logo depois ele surge pedindo licença pras pessoas. E nisso a banda toca Garota de Ipanema, as gargalhadas. Meu primeiro contato com Zorn e cia foi com uma música do Tom Jobim!
Alias, nesse dia estava todo mundo de muito bom humor. Todo mundo rindo em todas as musicas e Zorn fazendo até caretas enquanto tocava o theremim. Tudo muito divertido.
Depois dos dois sets, uma meia hora pra tocar o palco e aquela classica passagem de som na frente do público, que nessa altura era composto por umas 50 pessoas. E quem iria se apresentar era o Diaspora Soul, a banda de new orleans jazz judeu do Steven Bernstein!! Nao entendi o desinteresse do publico nova-iorquino mas vamos aproveitar.
Bernstein eh mais tosco ainda. Na entrada encontrou um amigo, falou que tinha umas congas no carro e nao perguntou se ele queria tocar! Durante o show deu pra perceber que o cara nunca nem tinha ouvido o disco, estava la pela diversao mesmo. E a apresentacao foi muito boa. Bernstein também regia a banda a exemplo de Zorn, dando uma coordenada naquela bagunca. Acho que os caras nao ensaiavam ha muito tempo; algumas horas ficava tudo meio perdido e Bernstein rebolava pra dar um jeito.
No final do set tinham umas 30 pessoas no Tonic para ouvir o repertorio quase completo do Diaspora Soul, um dos meus discos preferidos. Foi classico. Nao da pra falar muito dos shows, eh ver a escalacao dos musicos e imagina-los tocando classicos judaicos em new orleans jazz. Excelente.
Sábado, Setembro 13, 2003 ::: bar kokhba tonic, 12 de setembro de 2003
bar kokhba :
mark feldman : violino
erik friedlander : violoncelo
marc ribot : guitarra
greg cohen : baixo
cyro baptista : percussao
joey baron : bateria
john zorn : regencia
foram dois sets de uma hora cada; cada um com musicas diferentes, exceto por tres. diferentemente do the gift de ontem, quando fizeram dois sets com o set list identico.
foi classico, muito classico. tocaram quase todas as musicas do circle maker e algumas do masada songbook. so nao conhecia uma, surf music muito bacana.
o tonic eh meio que um garage americano. mesmo tamanho, horario sempre atrasado, entrada desorganizada... acho que nao tem camarim, de repente voce esta na fila e o passa o mark feldman por voce pra fumar um cigarro... depois chega o zorn batendo papo com o baron... fa que sou, fico impressionado. zorn faz o set list sentado no chao atras do caixa, tudo muito informal.
estou num hotel um pouco longe do local. como ainda nao entendi o metro daqui (as vezes para, as vezes nao para nas estacoes que preciso ir), vou a pe. uma hora pra ir, outra pra voltar. mas eh bacana. daqui a pouco estou indo, tem mais dois sets de bar kokhba hoje. e depois, meia noite, show da yuka honda com marc ribot, trevor dunn e mais alguem que esqueci. acho que vou ficar. conto amanha.
estou devendo reviews mais detalhadas mas com esse preco da internet aqui nao da pra brincar muito nao.
Sexta-feira, Setembro 12, 2003 ::: DIASPORA SOUL
THE GIFT tonic, 11 de setembro de 2003
diaspora soul :
steven bernstein : trompete e regencia
michael blake : sax tenor
paul shapiro : sax tenor
peter aplefbaun : sax tenor
briggan krauss : sax baritono
brian mitchel : piano eletrico
tony scherr : baixo eletrico
roberto rodriguez : bateria
mauro refosco : percussao
? : percussao
the gift:
marc ribot : guitarra
jamie saft : teclado e piano
john zorn : teclado, theremin, voz e regencia
trevor dunn : baixo
cyro baptista : percussao
roberto rodriguez : percussao
joey baron : bateria
hoje a tarde ate achei que voltaria com o blog. mas nao da nao. tem uma internet ao lado do hotel, mas sao 8 dolares por hora. prefiro comprar cd.
mas os shows foram fodas, fodas. que nem eu imaginava. um dia conto com calma. amanha tem mais.
estou em lisboa (trabalhando) e daqui a sete horas pego um aviao para ny (férias). vou pro zornfest, festival que esta rolando no tonic.
se tudo der certo hoje vou ver the gift (com john zorn, marc ribot, dave douglas, trevor dunn, jamie saft, joey baron e roberto rodriguez) e steven bernstein´s diaspora soul.
se bobear esse blog ate renasce!
mas antes vamos ver se o aviao pousa bonitinho no aeroporto.